sábado, 11 de setembro de 2010

mini e estéril

Será por quê o mini e estéril acabou?
Será por culpa de um fulano seu doutor
chamado individualismo ou quem sabe egoísmo?
Pode ser também aquela falta de amor.
Quem sabe o mini e estéril ainda funcionou
graças aquele que em obediência orou
chamando a graça repartida numa vontade infinita
de ver algo acontecer pro seu Senhor...

"...será só imaginação, será que nada vai acontecer, será que é tudo isso em vão, será que vamos conseguir vencer..." (Renato Russo)

um em todos e todos em um

os corações de um só, a voz de todos
os astros do céu, a luz do povo
desde quando um mais um é um?
desde quando dois mais dois são quatro?

vemos muitos com uma fé
sabemos da fé de muitos
vamos juntos a pé
sentimos o pé do mundo
comungar é preciso!

quando pensamos estar aqui
caminhamos noutra estrada
quando vamos sozinhos
encontramos irmãos na calada
comungar necessito!

Pecado e Paz

Luz apagada nada mostra
Tempero sem uso nega o gosto
Água parada, bicho dá
Mágoa cultivada, grande risco

Meu pecado é saber o que fazer e me safar
O pecado é morte ver sem vida dar
Mas pecado desse jeito tem solução
Porque pecado já se venceu na crucificação

Luz acesa limpa a vista
Tempero usado, apetite
Água que corre faz nascer
Mágoa esquecida, pedra lisa

Minha paz é seguir o rumo do bem comum
A paz é a vida que habita no três em um
Mas a paz desejada clama do coração
Porque a paz é encontrada em fé na ressurreição

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então só eu que sou vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

COMUNHÃO

Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo, eu no centro.

Nenhum tinha rosto. Eram reconhecíveis pela expressão corporal e pelo que diziam no silêncio de suas roupas além da moda e de tecidos; roupas não anunciadas nem vendidas.

Nenhum tinha rosto. O que diziam escusava resposta, ficava, parado, suspenso no salão, objeto denso, tranquilo.

Notei um lugar vazio na roda.

Lentamente fui ocupá-lo.

Surgiram todos os rostos, iluminados.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

opinar

o que se cabe não cabe ao espaço
retém o todo pois é e está além do mundo
um livro pouco, rouco, grita sobre o tudo
opina o louco a Verdade incontida
apressa a vida que se vem revelar
aperta o passo que a procura finda lá na eternidade

terça-feira, 13 de outubro de 2009

VIVER!

Amar, essente, sendo
transitar, fugacidade, fingido
falar, ausente, fugido
ouvir, querente, mentido

intenção falante, grito
suspiro, grato gosto
reflexo mudo, opaco
viver assim


Elias Binja

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ACOLHIDA

encontrei na casa a porta aberta

e na caminhada incerta entrei

joão de barro, colméia, formigueiro

um ninho, um teto, me acolheu

diferentes espécies, histórias e preces

o solitário em mim morreu

entre mitos, crenças e peças

a Verdade nos nasceu

terça-feira, 2 de junho de 2009

Releitura


Há alguns dias voltei a ler todos os textos do meu blog e pensei em corrigir algumas palavras ou frases, porque embora eu saiba do que estava falando naquele momento, sei também que são termos que dão margem a coisas que eu não quis dizeR.
Contei ao meu marido, que queria mudar ou apagar, então ele me disse que eu não deveria. Se o fizesse não poderia ver o quanto venho melhorando e mudando ao adquirir conhecimento, não poderia medir meu crescimento embora essa seja uma maneira um pouco limitada para fazê-lo.
Agora lendo os textos do blog mais uma vez, vejo que sob alguns aspectos, isso é uma verdade, assim como com os meus pecados, as minhas falhas.
Se eu sofrer com o que passou e tentar apagá-las posso desfigurar minha imagem atual e ainda confundí-la. Quando olho para atrás e faço uma releitura da minha vida posso ver o quanto tenho crescido no conhecimento de Deus e não para entristecer-me pelo erro passado, mas para me alegrar com a constante graça didática.
Nas releituras de quadros os pintores antigos dão lugar ao novos que não fazem uma cópia da obra, mas a refazem numa roupagem nova, valorizando-a sem mudar o original. É assim que me sinto, dando uma nova roupagem ao quadro passado da minha vida, valorizando-o e, tirando o meu "velho eu" que o pintou, dá lugar ao "novo eu" vivendo não outra vida, mas a mesma sob uma nova ótica.
Todos os dias conheço uma porção, mínima eu sei, mas uma porção de um Deus que se relaciona comigo. Ele fala, me responde, me faz percebê-lo de muitas formas ainda que Ele não tenha uma forma definida aos meus olhos e me conduz na escolha das cores que pintam meus dias.
Quando lembro do quanto já errei, já falhei vejo o quanto Ele me amou e me ama incondicionalmente e isso torna não mais motivo de tristeza ou frustração, e sim de satisfação e gratidão por saber que sem merecer recebo não mais e não menos que todo o amor do mundo, recebo as mais belas cores para dar vida a obra que Deus começou.

É bom olhar para trás e ver Deus na minha história, na minha imagem e principalmente me ver na história de Deus como imagem e semelhança dele!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Prudência

Há um limite imperceptível
Entre a prudência e a covardia.
Chamamos de prudência a segurança e a fraqueza.
Chamamos de prudência o não comprometer-se,
O não arriscar nada que seja pessoal.

Acreditamos que a prudência aumenta com a idade;
Sem perceber que com ela aumenta também o conformismo.
Todos nos falam de prudência, Senhor;
Mas de uma prudência que não vem de ti,
Que é em vão buscarmos em teu evangelho.

Jesus Cristo, te damos graças
Porque tu não foste prudente,
Nem diplomático;
Porque não se escondeu para escapar da cruz,
Porque encarou os poderosos,
Sabendo que arriscava sua vida.
Os que te mataram, estes foram os prudentes.

Não nos deixe ser tão prudentes
Ao ponto de querer agradar a todos.
“Tua palavra” é cortante como faca de dois gumes.
Juntamente com as bem-aventuranças,
Também pronunciaste maldições;
És um texto subversivo.

Não queremos uma prudência que nos leve a omissão,
E que nos livre da prisão.
A terrível prudência de abafar o grito dos famintos e oprimidos.
Dá-nos sinceridade para não chamar a covardia,
O conformismo e a comodidade de prudência.

Ser cristão não é prudente.
Não é prudente “vender tudo o que se tem e dar aos pobres”.
É imprudente entregar a vida para Deus e pelos irmãos.
Que ao sentirmos a tentação da prudência,
Nos lembremos que tu “escolheste a fraqueza do mundo para derrotar os fortes; e aos tolos para confundir os sábios”.
Porque a prudência do mundo é inimiga de Deus.

Luis Espinal

Palavras do velhinho (Eclesiastes 1:8)

O homem não se cansa
E o corpo balança pra lá e pra cá
E busca ser melhor
E tenta ganhar mais
E mesmo assim
Nada que faz, satisfaz

E nesse grande parque
Onde brincar é uma arte
Giramos na roda gigante

E o homem faz de novo
O mesmo que todo o povo
Crendo que mudará a história
Mas não sabe que o Deus desse texto
Já sabe o fim no começo
Que não ficará na memória

E nesse grande circo
Onde viver é um risco
Domamos em nós animais

Mas há o homem
Que cala o seu interno
E teme ao que é eterno
Obedecendo ao terno conselho
E dos extremos ao equilíbrio
A vida transita perene

E nessa grande escola
Onde aprender é saber amar
A satisfação é muito mais que uma recompensa

É muito mais do que você pensa.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mário Quintana (1906-1994)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

GANHAR-SE ou PERDER-SE

O que a gente retém só para si
é o que se corrompe dentro de nós
como água parada.

O que a gente deixa passar para os outros
é o que lava a nossa intimidade
como água que corre.

Tudo que é retido se deteriora
até desintegra-se e o próprio coração
se converte em carcereiro.

Tudo que é presenteado
cresce sem fim com vida própria
e o nosso coração se converte em criador.

Guardar-se inteiramente para si
é a única forma de perder-se eternamente
na esterilidade da morte.

Perder-se inteiramente a si mesmo
é a única forma de ganhar-se eternamente
no Reino da vida.

Benjamin Gonzalez Buelta

domingo, 29 de junho de 2008

Diálogo entre luzes na despedida


- Estão sempre chegando para despedida, isso é certo! Exclamou a vela com a concordância de sua companheira de menor estatura e mais experiência no ramo de iluminação das almas.
Naquela madrugada fria no velório de Mirassol, uma capelinha dentro do cemitério municipal onde cabia apenas um caixão por vez e dois grandes castiçais ao lado do mesmo, lá estavam elas iluminando as almas de vivos e mortos, com suas, também companheiras, coroas de flores que num caso inédito lotavam aquele lugar.
Dadas por amigos ou por simples conhecidos que apenas queriam se mostrar solidários e de alguma forma presentes, as coroas estavam ali provavelmente para tentar embelezar a morte, que era por acaso o assunto das velas. Eram elas grandes e com o passar do tempo se desgastavam pelo fogo que as ascendia, além disso, ficavam sempre ao lado do falecido ou falecida numa visão privilegiada do acontecimento.
Ali presenciavam a tristeza de uns e o alívio de outros, a dor do adeus e o “foi tarde”, lágrimas e piadas ao fundo. Viam também as famílias enfim reunidas e realmente achavam aquele o melhor lugar para trazer luz, afinal ficava bem clara a intenção das almas de vivos e mortos.
Suas luzes quando acesas por fósforos da cantina do velório ou isqueiros dos fumantes assíduos do evento, refletidas dentro dos olhos de quem observava o falecido podiam discernir segredos mais profundos daqueles corações.
As velas, chamadas aqui de Maior e Menor, dialogavam a respeito de seu árduo trabalho e de como era comum em toda sua curta vida ver diferentes mortos trazendo vivos tão semelhantes.
Desde que fora acesa vela Menor, que havia sido num passado não tão distante uma grande vela, percebeu que a sua primeira missão era iluminar um jovem senhor de quarenta e sete anos, que morreu por conta de um infarto fulminante. Pelo menos foi o que ela ouviu da dona de um famoso prostíbulo, uma parada obrigatória dos caminhoneiros nas estradas de São Paulo, conhecida como Rainha das Estradas. Ela era amante desse senhor conhecido como João Caminhoneiro e por tantas idas e vindas, ela sentia-se bem à vontade para falar sobre ele com os colegas de profissão do falecido que eram lhe também conhecidos de longa data. Mas isso aconteceu antes de ser expulsa do velório pela esposa de João, revoltada.
Sua esposa, dona Lúcia era uma mulher fiel que sempre fechou os olhos para os casos extra-conjugais do marido, e talvez por isso ela estava casada a mais de vinte anos com aquele senhor, mas ao ouvir tudo que era falado percebeu que não sabia tanto sobre ele como aquela mulher e como as outras que ao contrário desta choravam discretamente pelos cantos. Aliás, já havia perdido a conta de quantas mulheres foram chorar sobre o insaciável homem.
Apesar de seu olhar marcado pela desilusão da traição e pela vergonha, havia um ar de desamparo,pois ela o amava.Este não ficou muito tempo sendo velado porque já tinha falecido há alguns dias em outro estado numa de suas viagens, então trouxeram outro morto, ou melhor, morta.
Era uma menina de quinze anos que por sofrer com a depressão e com a rejeição do grande amor da sua vida se entregou ao suicídio. Ela se chamava Luciana Muara e por ocasião de uma vida totalmente solitária, apesar de toda a riqueza, sofria do conhecido mal do século. Aos quinze anos, no auge da sua adolescência, se apaixonou e em meio a carência se apegou além do normal ao seu professor de química que nem sonhava com essa paixão arrebatadora, só que esse não era mais um amor platônico.
Foi tão arrebatadora a paixão que quando Luciana descobriu que seu professor se casaria sentiu-se novamente rejeitada por alguém que ela julgava ser a última esperança de compartilhar sua vida e entregou-se permitindo que a morte a levasse com um pouco de veneno de rato.
Assim comentavam os conhecidos em volta do caixão, disse a vela Menor.
Mas quando notaram a aproximação da mãe de Luciana se calaram, por medo ou respeito não se sabe ao certo.
Aquela mulher que sempre trabalhou para dar tudo à filha não tinha palavras nem lágrimas que expressassem a imensa dor que sentia, ela havia engravidado ainda na adolescência e foi abandonada pelo pai de Luciana e por seus próprios pais, por isso sozinha lutava dia e noite para suprir as necessidades materiais de sua filha, uma meta que foi alcançada com sucesso. Mesmo assim os seus olhos refletiam o sentimento de frustração, pois em meio a todas as coisas que pôde dar a Luciana esqueceu-se de dar o amor transmitido na sua voz, toque e presença.
- Agora nos encontramos aqui vela Maior, o que você me diz? Interrogou a vela Menor e completou dizendo que os mortos e vivos estavam sempre chegando e que ela ainda teria a oportunidade de ver alguns casos como aqueles.
- Posso entender sua pequena estatura diante de tamanha experiência, respondeu a vela Maior.
As duas riram e passaram juntas a observar o morto que estava entre delas e que trazia pessoas tão conformadas e conscientes daquele momento sem carregar em seus olhares tamanha dor.Passaram a ouvir o que se dizia por todos que passavam pelo caixão que estava lacrado. As pessoas olhavam tristes pela perda, mas em oração faziam agradecimentos pelo ganho.
- Não compreendo. Você ouviu ou entendeu a oração? Disse a Maior.
- Não! Respondeu a Menor que já estava muito desgastada pelas horas.
- Esse rapaz de vinte e seis anos havia falecido há algumas horas por causa de um tumor no cérebro, com quem lutou pacificamente por quatro meses.
Seu nome era Felipe, um rapaz aparentemente saudável, bonito e ativo, muito consciente da importância da sua vida. E por isso terminou a vida, vivendo, como diziam todos.
Os olhos de seus familiares e de seus amigos e alunos demonstravam a admiração e a reflexão pessoal sobre a vida, não havia naqueles rostos tristeza ou frustração alguma.
Algo inédito até então e isso levou a juntas procurarem por uma explicação para o fato inimaginável.
Ouviram os comentários que se faziam naquela capela lotada e sua história de vida repetida inúmeras vezes. Felipe vinha de uma família de classe média alta, não tinha irmãos e havia ficado órfão aos doze anos por causa de um acidente que seus pais sofreram voltando das férias.Em meio ao sofrimento de perder os pais percebeu que não poderia trazê-los de volta, então resolveu que viveria por si mesmo e pelos seus pais da melhor forma que fosse possível, com uma intensidade que valeria pelos três. Assim ele o fez usando todos os seus recursos para aprender como transmitir o bem.
Ele era um jovem professor de Educação Física, e voluntariamente servia comunidades carentes, para através dos esportes doar um pouco da vida que carregava dentro de si, até o último dia que pôde, deixando sua marca registrada no coração de cada pessoa que teve a oportunidade de conhecer. Ele foi levado para a UTI e permaneceu ali algum tempo, mas esse era o momento de partir e sem revolta aceitou a morte que o encontrou com uma sensação de dever cumprido.
- Bom minha querida amiga, depois de muito analisar mortos e vivos, na vida e na morte chego a conclusão que na vida temos que viver e na morte morrer, disse a vela Menor.
- É verdade! Exclamou a vela Maior e completou dizendo:
- Entendi que quando não vivemos a nossa vida nos frustramos ou frustramos outros, como foi o caso de João Caminhoneiro. Este sempre quis viver várias vidas numa só, e não deu conta nem se deu conta de que sua vida era para ser vivida com sua mulher que também sofreu a morte antes mesmo que ela ocorresse.Também no caso de Luciana que não foi ensinada a viver a vida para que a própria não a fizesse sofrer. Com sua inesperada morte matou os sonhos de sua mãe que viveu para fazê-la viver. Mas aprendi em nossa análise que quando se vive a vida, a morte se torna uma semente que ao morrer gera vida e os frutos da vida como Felipe, um exemplo e inspiração para todos.
A vela Maior agradeceu por ser iluminada o fazendo em tom de piada, pois realmente elas que deveriam iluminar procuravam ali uma luz sobre a vida e a morte e juntas encontraram. Até que chegou a hora de partir da querida e experiente vela Menor, aliás muito menor, quase imperceptível.
- Bom amiga, agora é minha vez, já vivi a minha vida, faça o mesmo!
Despedindo-se assim a vela Menor de sua companheira vela Maior e coroas de flores dadas ao Felipe, o morto mais cheio de vida daquela pequena cidade.







Fernanda Pereira Torres

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Casa Pré-fabricada (Marcelo Camelo)


Abre os teus armários
Eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sob os teus braços castos
Cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo
Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim
qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais
Vale o meu pranto
que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela
primavera quer entrar
pra fazer da nossa voz uma só nota.
Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um canto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
Tristeza nunca mais...

TODOS DIZEM TE AMO


É FÁCIL DIZER, PELO MENOS, É O QUE PARECE
MAS SÃO GRANDES AS IMPLICAÇÕES DESSA FRASE TÃO SIMPLES
ELA É DITA PELOS MAIS ALVOROÇADOS
QUE DIZEM, TALVEZ, SEM PENSAR NO SEU SIGNIFICADO
POR ISSO NÃO PODEMOS COBRÁ-LOS, AFINAL
POBRES COITADOS, INOCENTES QUE SÃO!
E ASSIM FAZEM SEMPRE O QUE QUEREM, AFINAL
POBRES COITADOS INOCENTES QUE SÃO!
HÁ TAMBÉM AQUELES QUE NADA DIZEM
MAS PARECEM GRITÁ-LAS EM SUA BOA RETÓRICA
SERMÕES DE AMOR E POUCA PRÁTICA
MAS QUE IMPORTA, CONVENCEM SEMPRE A MAIORIA
E NÃO PODEMOS COBRÁ-LOS, AFINAL
ELES FAZEM, E VOCÊS QUEM SÃO?
E ASSIM DIZEM O QUE QUEREM, AFINAL
ELES FAZEM, E VOCÊS QUEM SÃO?
TENTAMOS VIVER E PARECE NÃO HAVER MEIOS
NÃO GRITAMOS, NEM SUPOMOS
INSIGNIFICANTE PARA UNS, VERDADEIRO PARA NÓS
SEM RAZÃO DE SER
MESMO ASSIM TODOS DIZEM
TE AMO...

sexta-feira, 21 de março de 2008

BRASILIDADE

Somos uma mistura
do samba e do bumba meu boi
do forró e da catira
do maracatu, do Brasil que não foi
Somos um gosto, um sabor
do arroz com feijão
o baião de dois
da muqueca, do acarajé
e para isso estamos de pé
Somos um povo
o mesmo de novo
uma idéia, muitas favelas
o sertão de um coração
Índios e negros
pardos e brancos
japoneses brasileiros
na batida da criação
Escondidos, banidos na própria cultura
correndo atrás do inglês
sim sussurra
Libertas quae sera tamen
mesmo que calados te chamem
queremos a nossa nação de uma vez

nó na garganta

senti um nó e o dei em pingo d'água
para enganar a dor
para esconder o odor do sofrimento
que exalo
do despeito de quem causou a flor
o mal que angustiou o pensamento
corri quilometros para fugir
levantei muros para não sentir
cavei trincheiras para me proteger
mas são momentos de uma sina coletiva
que abrem portas para o mundo das sensações
e revelam reais razões para viver

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

minhas janelas

janela da alma
janelas na tela
janela do quarto
janelas
por onde espio
por onde escondo
por onde mostro até certo ponto
janelas
abertas para o sol
fechadas para o escuro
janelas
com cortinas e véus
através dos vidros o céu
janelas

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

um certo rapaz

Perfume.

O colorido que gosto tem?

Tecido cheiroso,

sabor de chocolate.

Teus sapatos querem me ver,

os cabelos não tem que fazer!

Chega limpo e joga junto.

Senti com meus olhos tua voz,

ouvi com meu coração o seu tom,

com meus sentidos descobri que é bom.

Criança eufórica, adulto feliz,

completa ou incompleta, o amanhã é quem diz!

meditando(31/07/07)


não sou poeta eu sei,mesmo assim eu queria as palavras certas para hoje e para sempre

escrever coisas bonitas que me comovam e que Te comovam mas tenho apenas um sentimento confuso entre a minha vontade e das pessoas que insistem em dizer o que dizer

tenho aceitado opiniões e obedecido regras embora isso me faça muitas vezes esquecer o que a princípio eu queria,o que era mesmo?

faço tudo para não errar mas não posso fugir da realidade que não sou perfeitamente equilibrada em todo o tempo, fico muitas vezes entre oito e oitenta,extremos q me enlouquecem

ando politicamente correta, mas quem sou eu mesmo?

Deus por favor me responda, porque eu sei que o meu criador sabe,e querendo ou não entro em conflitos para poder sair deles e poder me aproximar mais do Senhor em tudo e todos.


salmo 86

verso 11- Ensina-me o teu caminho, e andarei na TUA verdade, une o meu coração ao temor do Senhor por amor do teu nome.


sexta-feira, 24 de agosto de 2007

diálogos noturnos(marco antonio faria)

Um dia, enquanto cruzávamos a madrugada sentados numa estrela, aproveitamos para contemplar e apreciar o cosmo.
Era tudo, para mim, muito confuso e ao mesmo tempo muito lindo. Abstrações da mente de Dom.Era uma loucura.
Se de repente alguns cometas passassem por nós Dom dizia todos os nomes. Apontava para uma constelação e dizia o porquê:
— Está foi construída num momento difícil, de grandes decisões. Por isso essas ramificações bidirecionais e aqueles detalhes ali. Entende?
E eu sorria. Achava Dom muito engraçado.Suas explicações e decisões não faziam o menor sentido lógico e racional na minha mente humana limitada.
Um dia desses atravessando uma linda madrugada, agora da minha varanda por que só de vê-la dali já valia muito a pena, Dom começou explicar os porquês do homem.
Ele falou muitas coisas, abstrações da mente de Dom. Me lembro muito pouco do que ele falou, no entanto algumas coisas fixaram em minha cabeça de tal forma inexplicável. Segundo meu amigo, seria a melhor maneira de entender – e também a mais prática – e daí ele soltou um conjunto de palavras:

― Responsabilidade, Honestidade, Igualdade, Renúncia, Serviço, Caráter e Amor.

Mas ele também disse que foram poucos os homens que entenderam.Engraçado, depois desse dia não consigo parar de pensar acerca do homem e mesmo quando passeamos pelo universo e visitamos outras galáxias fico me investigando buscando entender por que razão. Dom jamais voltou a falar comigo sobre isso. Divagações da mente de Dom.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Blanco


Me vejo no que vejo
Como entrar por meus olhos
Em um olho mais límpido
Me olha o que eu olho
É minha criação isto que vejo
Perceber é conceber
Águas de pensamentos
Sou a criatura do que vejo

(marisa monte/octávio paz/haroldo de campos)


"porque assim como imaginou em seu coração assim ele é..."Pv 23:7A

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

MARIA BALBINA




mulher simples

de poucas palavras

com marido idoso

com filhos que moram longe

netos que vê mensalmente

aposentada da roça de café

descansando um pouco

sasciada da vida?

com sede de Deus!


São Bento Abade MG

quinta-feira, 14 de junho de 2007

algumas frases da missionária amy carmichael(exemplo de abnegação)


"Ame através de mim, ó Deus,

Faz-me como ar puro

Por onde passam livres, as cores,

Como se eu não existisse."



“Se eu não tiver compaixão pelos meus colegas, como o Senhor teve compaixão de mim, então não conheço nada do amor do Calvário.“Se posso ferir o outro ao falar a verdade, mas sem me preparar espiritualmente, e sem sentir mais dor do que o outro, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se os elogios dos outros me alegram demais e acusações me deprimem; se não posso passar por mal-entendidos sem me defender; se eu gosto de ser amado mais que amar, servido mais que servir, então não conheço nada do amor do Calvário.“Se quero ser conhecido como quem acertou em uma decisão, ou quem a sugeriu, então não conheço nada do amor do Calvário.“Se eu ficar no lugar que pertence apenas a Jesus, fazendo-me necessária demais para uma pessoa, em vez de levá-la a se agarrar nele, então não conheço nada do amor do Calvário.“Se eu me recusar a ser um grão de trigo que cai na terra e morre, então não conheço nada do amor do Calvário.“Se eu quero qualquer lugar no mundo, a não estar no pó ao pé da cruz, então não conheço nada do amor do Calvário”.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

identidade

EU
por
DEUS
cercado
por trás
e por diante

EU
sem
DEUS
desamparado
frágil
inconstante

EU
em
DEUS
achado
completo
dependente

EU
se encontra em
DEUS

EU
estou em
DEUS
{PaulaMazzini}

segunda-feira, 23 de abril de 2007

o vento

O vento sopra onde quer
ninguém sabe de onde ele vem
e nem para onde ele vai
no seu caminho
se vai dar ondas ao mar
levar a jangada a pescar
ou se vai fazer trabalhar o moinho
assim também viverá aquele
q quiser andar ao lado de Deus
e fazer sua vontade
hoje estará por aqui
quem sabe amanhã vai partir
mas onde estiver é feliz de verdade

Agradecido em tudo
sabendo q Deus é maior q a vontade dos homens
e todas as forças do mundo
e o seu amor mais claro
q a estrela do céu
mais doce q o favo de mel
e mais q o abismo do mar é profundo

Aristeu Pires

domingo, 1 de abril de 2007

o meu amor ama

o amor é uma coisa engraçada
não dá e passa
quem dera essa simplicidade
mas quando tem que passar dói
e se eu pudesse poupar o amor da dor do peito
eu o faria com toda minha força
mas o amor é esperançoso
renasce mimoso para me aquietar
e caminha no alvoroço para se doar
o amor é assim
sabe o que quer sem saber como
mas por ser doído não quis ser incômodo
o meu amor é assim
mas não sei o teu como ama
amor que é amor não tem fim
apenas ama...

terça-feira, 27 de março de 2007

o pequeno príncipe

(cap.21/incompleto)
[...]
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
[...]
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me
[...]
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo. (
por causa do cabelo dourado/grifo meu)
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
[...]
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."

Antoine Saint-Exupéry

terça-feira, 20 de março de 2007

resposta certa

Tu és aquele que me atrai
com graça e liberdade
pureza e santidade
Tu é aquele que me traz
a todas as perguntas
grandes verdades

A resposta certa vem de ti
e faz sábio o meu coração
na tua sabedoria quero me encontrar e agir
A resposta certa vem de ti
e faz sábio o meu coração
na tua sabedoria me entregar e agir

(cd Atitude_vineyard music)

quinta-feira, 15 de março de 2007

tem horas que eu queria por o sentimento em palavras
transformar pensamentos em filmes
assistir minha vida sentada numa poltrona confortável e distante
onde as cenas mesmo que mais cruéis sejam doces
e a história me cause a melhor emoção
ouví-la numa música suave e feliz
onde a melodia e os trocadilhos são belos
e a harmonia toque o mais profundo do coração
tem horas que eu queria

terça-feira, 6 de março de 2007

anormalidade padrão


Todos nós somos educados dentro de um padrão que a nossa sociedade criou sobre o que é normal e o que não é, o que pode e o que não pode, até mesmo a igreja se encaixou a esse padrão não necessariamente bíblico.
Ganhamos isso como um presente de "grego" quando nascemos, e praticamente sem perceber temos a mente recheada de preconceitos, falso moralismo ou em outro extremo o liberalismo total para tentar vencer essa mentira que esse sistema nos impõe.
Como cristã sei que nos tornamos por demais julgadores, e gostamos de ditar o certo e errado mais que todos e para todos nos esquecendo que em 1 corintios 4:5 diz que nada julguemos antes do tempo até que o Senhor venha,o qual também trará a luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações...
Uma vez uma amiga chegou em mim com a seguinte questão:
Você estaria disposta a renunciar sua reputação?
Automaticamente disse que sim, afinal o que não faço por amor a Cristo...rsrs...quanta hipocrisia a minha, eu confesso.
Um dia meditando na palavra li um versículo que me chamou a atenção ele dizia que Jesus foi contado com os malfeitores(Mc 15:28) e logo pensei se eu realmente teria coragem de renunciar a minha reputação como Cristo fez, não se preocupando em ser mal visto pela sociedade.
Quantas vezes me preocupo com o que vão falar de mim,e continuamente caminho de acordo com o que o mundo "gospel" diz que é certo, pra que não me proíbam de nada, porque se eu vestir isso ou aquilo, se eu usar essa palavra,ou se eu andar com fulano,ou porque tal coisa é do diabo."Peraí..."
O padrão de normalidade de Cristo não era o padrão da sociedade e nem mesmo da igreja da época, afinal os escribas e fariseus se opuseram a Ele, sua forma de ser, de se relacionar, enfim seu comportamento não estava de acordo com aquele sistema religioso,político etc embora não fosse rebelde...
Se Cristo viesse nos dias de hoje será que estaria de acordo com os nossos certos e errados?
Será que os "dinossauros eclesiásticos" o receberíam em suas santas e confortáveis igrejas?
Qual o padrão de normalidade de Deus para Cristo homem e para nós?
Jesus quebrou paradigmas quando esteve entre nós, conversou com a uma samaritana com quem um judeu não deveria conversar(João 4:9), foi se hospedar na casa do chefe dos publicanos(Lucas 19:7), defendeu a mulher adúltera(joão 8:7-11),quando Ele entrou derrubando as barracas pra acabar com o comércio no templo(Marcos 11:15) e tantas outras situações não comuns.
Isso nunca quis dizer que Ele concordava com os nossos pecados mas pela sua graça que é o favor imerecido nos perdoa(Efésios 2:8) afinal Ele não veio para os sãos e sim para os doentes(Marcos 2:17).
Mas será q refletimos Jesus ou refletimos uma religião?
O que julgamos serem as atitudes de um crente ou de uma pessoa relativamente normal?
Eu sinceramente quero conhecer a Deus e fazê-lo conhecido (como diz o lema de uma agência missionária) pra agir dentro do padrão de Deus do que é certo e errado, para ser exatamente como Deus quer que eu seja e não como o sistema me diz que devo ser e principalmente para apresentar quem realmente é Jesus Cristo.


"sou cristão não porque a fé cristã é atrativa mas porque é verdadeira"
John Stott

sábado, 3 de março de 2007

meus olhos

meus olhos vão longe
invadem meus pensamentos
e enxergam através dos seus olhos
e não sendo suficiente
me olham
vão longe e se esquecem
em fração de segundos
acreditam no que ninguém disse
vão longe e se fixam
perseguem o sonho
sem obstinação
vão longe e enxergam
contemplam o criador através de sua obra
merecedor de todos os aplausos
o grande artista
meus olhos vão longe e descansam
quando os fecho à espera de um novo dia
quando os abro para o recomeço

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

pulando o carnaval

vamos pular o carnaval nos retirando da sujeira que estamos acostumados a esconder debaixo do tapete, sim, o tapete da sala da consciência que de tão cheia está pesada e diz:
"lá reuniremos nossa aparente pureza e nos guardaremos dos que assumem a promiscuidade e tudo mais"
temos então uma liberdade condicional e não bíblica...
então vc me diz
como assim?
te respondo com outra pergunta
estamos de fato livres?
novamente vc pergunta
livres do quê?
e agora te respondo sem mais perguntas
livres dele, do pecado que tão de perto tem nos acompanhado,por isso pulamos o carnaval nos retiros ou contaminamos a nós e a nossos irmãos quase conscientes da graça e do perdão de Deus, conscientes da própria salvação.


No sábado 17 de fevereiro fui para rua,eu deveria acompanhar um grupo de evangelismo de uma igreja que entendeu que devemos resgatar as vidas e não nos esconder delas. Ótimo! Mas o grupo por algum motivo apareceu provavelmente no final da festa,bom , não sei afinal depois de quatro horas esperando sozinha no meio da muvuca voltei para casa. Voltei pensativa e horrorizada com as coisas que vi,durante as quatro horas consegui falar de Jesus para apenas um senhor que no fim da conversa agradeceu a mensagem e resolveu ir dormir,depois pude apenas assistir. Foi como assistir um filme de terror mal feito,não pelas pessoas mas pela situação em que se encontravam e me senti como igreja o próprio vilão. Vi adolescentes exibindo o corpo ainda infantil a homens e mulheres, muitos ali descobrindo as drogas e suas reações enquanto policiais andavam de um lado para o outro se sentindo fortes em suas fardas e recebendo cantadas de algumas meninas. Crianças rebolando com sensualidade porque seus pais ali faziam o mesmo e depois de algumas horas e bebidas iam embora aos gritos, tapas e pontapés levando seus filhinhos confusos diante de tudo.
Me lembrei do comentário de um pastor durante o culto dizendo q não iria abrir a igreja a noite pra que ninguém entrasse nu e disse também que se alguém tivesse que se converter,se convertesse outra hora. Mas será que todos que estavam naquela festa terão outra hora para ouvir a mensagem e se converter?
Isaías 53 5 diz que Ele(Jesus) foi ferido pelas nossa transgressões,mas garanto que não foi em um "retiro" no céu que isso aconteceu e sim no "carnaval" da terra.Ele deixou a sua glória para vir até aqui se fazendo homem como nós, se expondo a tudo isso para nos mostrar o seu amor,por esse motivo estou aqui escrevendo essa mensagem e talvez por esse motivo vc esteja lendo e entendendo o que estou querendo dizer. Isso não quer dizer que sou contra os retiros que as igrejas fazem nessa época acredito que são muito importantes,vejo como uma estratégia de Deus também afinal nem todos estão preparados para ir,mas e quanto aos que estão nas ruas se acabando em busca da alegria? Temos a verdadeira alegria! Ou não temos? Onde estão os que foram chamados a evangelizar,a levar a mensagem da salvação? Será que Jesus iria para um retiro no carnaval?
Em João 14 12 Jesus disse que se nós crermos faremos o que Ele faz e faremos obras ainda maiores, então porque nos escondemos,pulando esses dias, banindo do nosso calendário cristão?
Se temos medo de nos contaminar estando ali no carnaval para evangelizar é porque provavelmente não entendemos e recebemos essa mensagem de salvação,a graça e o perdão de Deus, a sua verdade que liberta.
Não podemos dar o que não temos!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

questões

por que choro no claro
se são minhas razões?
por que esmolo o bocado
se é meu o coração?
por que imploro atenção
se me cerca a canção?
por que questiono o amparo
se acho difícil e raro?
por que interrogo o prato
se me alimento do pão?
por que fujo com o não
se quero então?
da tua melodia
renasce o dia
da tua vida
a vida me cria vazia
e se enche demais
de paz
a mais
se enche e jaz
se desfaz
(um dia de agosto de 2005)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

tão bom seria acreditar
melhor então ver
mas o coração oscila
quando os olhos enganam
e fazem vacilar
por que não arriscar?
apenas um passo a dar na direção clara e reta
que leva à Ele
será que vai falhar?
não
ou demorar, me fazer esperar?
talvez
mas o que preciso é crer no que meus olhos não me permitem ver

(fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veêm)Hb 11:1

me diz



fosse feio ou bonito
não importa
andasse abatido
além da porta
quem saberá?

seja rico ou pobre
qual será sua sorte?
a mesma até a morte?
quem apostará?

andasse depressa, apressado
devagar, quase parado
que diferença faz?
quem empurrará?

ser ou não ser não é a questão
e sim o fazer
sentir e omitir não está em pauta
tão somente o parecer

aonde iremos nós
humanidade na contramão
deixando o mundo morrer de antemão
dentro de casa, dentro do quarto fechado

me diz

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007


"Se insistirmos em manter o inferno (ou mesmo a terra), não veremos o céu; se aceitarmos o céu, não conseguiremos reter nem mesmo a menor e mais íntima lembrança do inferno."
C.S.Lewis(O grande abismo)

sábado, 27 de janeiro de 2007

opção


não gosto das cobranças
não gosto daquelas lembranças
não gosto das balanças
nem daquelas danças

mas gosto das mudanças
gosto das novas alianças
gosto das andanças
e das mansas palavras que Ele me faz ouvir

entre gostar e não gostar
vivo
aprendo
estou crescendo

entre amar e odiar
paro
ando
e vou perdoando

entre olhar e ver
percebo
descubro
e mergulho no infinito
Deus...