sexta-feira, 21 de março de 2008

BRASILIDADE

Somos uma mistura
do samba e do bumba meu boi
do forró e da catira
do maracatu, do Brasil que não foi
Somos um gosto, um sabor
do arroz com feijão
o baião de dois
da muqueca, do acarajé
e para isso estamos de pé
Somos um povo
o mesmo de novo
uma idéia, muitas favelas
o sertão de um coração
Índios e negros
pardos e brancos
japoneses brasileiros
na batida da criação
Escondidos, banidos na própria cultura
correndo atrás do inglês
sim sussurra
Libertas quae sera tamen
mesmo que calados te chamem
queremos a nossa nação de uma vez

nó na garganta

senti um nó e o dei em pingo d'água
para enganar a dor
para esconder o odor do sofrimento
que exalo
do despeito de quem causou a flor
o mal que angustiou o pensamento
corri quilometros para fugir
levantei muros para não sentir
cavei trincheiras para me proteger
mas são momentos de uma sina coletiva
que abrem portas para o mundo das sensações
e revelam reais razões para viver